BREVE HISTÓRIA DO PROJETO

A apanha de caranguejos têm merecido reduzida atenção a nível nacional, assim como a nível da Comunidade Europeia, já que grande parte dos estudos  desenvolvidos pela comunidade científica europeia são dirigidos sobretudo para a pesca industrial ou semi-industrial que exploram os grandes recursos. Num contexto nacional, a apanha (Portaria n.º 1228/2010, de 06/12) de pequenos caranguejos em rios, estuários ou lagoas, como o Caranguejo da lama (Panopeus africanus); Caranguejo-verde ou caranguejo-mouro (Carcinus maenas); caranguejo Escava-terra ou bocas-de-cavalete (Afruca tangeri), podem assumir uma importância crescente. Tal deve-se à sua abundância e distribuição, em  zonas estuarinas e lagunares, devido ao alto valor comercial, do potencial  número de pescadores interessados na apanha/pesca e de outros agentes que se poderão beneficiar indiretamente desta pesca, da importância socioeconómica e cultural a nível local que esta pesca representa para determinadas comunidades, e da diminuição da importância dos pesqueiros tradicionais explorados pela  frota pesqueira.

A informação a nível dos desembarques por espécies de pequenos caranguejos, na base de dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Direção Geral das Pescas (DGRM), DOCAPESCA, aparecem como categoria mista não sendo discriminada ao nível das espécies de caranguejos. As estatísticas relativas aos pequenos caranguejos interditais são assim escassas e pouco detalhadas. O Plano Nacional de Amostragem Biológica (a cargo do Instituto do Mar e  Atmosfera – IPIMAR) também não inclui estas espécies nas suas rotinas de amostragem de espécies exploradas com interesse comercial. Esta situação deriva, por um lado, do facto da pequena pesca e da apanha terem um peso direto muito pequeno no produto interno bruto e possivelmente no contexto socioeconómico da região, por outro lado, pelas dificuldades em seguir estas atividades não declaradas e muitas vezes não licenciadas.

CARANGUEJOS EM ESTUDO

A informação sobre os mariscadores que se dedicam a apanha de caranguejos é escassa ou inexistente. Os caranguejos podem ser apanhados para consumo (ex: cavalete) ou para utilização indireta como é o caso do isco vivo para a pesca. A apanha de caranguejos pode ser exercida à mão, mas muitas vezes são utilizados covos ou nassas na sua captura (artes de pesca). A atividade da apanha e pesca de
caranguejos não está descrita, mas é caracterizada por ser feita individualmente por cada pescador (à mão) em sistemas lagunares costeiros e sistemas estuarinos, em zonas lodosas/arenosas. Existem espécies que são apanhadas para consumo pessoal como acontece como o cavalete ou mesmo o caranguejo verde. De qualquer forma, os caranguejos constituem um marisco muito apreciado na gastronomia dos Portugueses sendo um marisco consumido tradicionalmente, cuja crescentes procuras
têm contribuído para os elevados preços atingidos para algumas espécies. Não existe regulamentação da pesca do caranguejo, nomeadamente do número de licenças ou esforço de pesca sustentável; capturas diárias espécies; tamanhos mínimos; defesos; locais de apanha etc., em nenhuma zona do país e a apanha ou pesca excessiva pode levar a desequilíbrio nas populações que nos vulneráveis pois a sua distribuição ocorre em zonas bastante acessíveis, pouco profundas em zonas entre marés.